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Parashat Mishpatim

O coração que sente

Em certa comunidade judaica na Europa, as famílias pobres não tinham dinheiro para comprar lenha para aquecer suas casas, a tal ponto, que a casa estava quase congelada pelo frio do inverno.

Assim também é a orientação da Torá em relação ao penhor pego do pobre
Quando Rabi Yossef Shelomo Kahneman Zts"l fundou a Yeshivá de Ponovits, convocou para o staff técnico da Yeshivá, sobreviventes do holocausto que estavam solitários, sem famílias. Para estas pessoas, a Yeshivá era uma fonte de sustento e moradia. Um destes trabalhadores, era Moshe Vaitrij, que sua função era de ser o marceneiro da Yeshivá. Seu serviço era de consertar as mesas especiais de estudo que necessitavam de mãos aptas para pô-las em estado de uso. Certo dia especialmente quente, o Rav Kahneman viu o marceneiro curvado e suando bastante consertando uma destas esas especiais.
 
O Rabino dirigiu-se à ele dizendo carinhosamente o seguinte: "Oh, Moshe, que mérito nós temos juntos!!!! Durante diversos anos, nós juntos estamos construindo a Yeshivá!!! " Moshe levantou as costas e sorriu, e dali adiante, disse para todos que os encontrou:" Você ouviu o que o rabino disse para mim? Nós dois construímos a yeshiva por diversos anos. Eu sou o marceneiro e o grande rabino - construindo a yeshiva juntos ...
 
Na parashá desta semana, Parashat Mishpatim, consta o seguinte (Shemot 22:24): "caso você empreste dinheiro a um membro de seu povo, que o pobre esteja contigo...". Qual é o significado "que o pobre esteja contigo"? o que estas palavras têm a ver com a mitsvá de emprestar dinheiro? Rashi explica o seguinte: "veja como se você próprio fosse o pobre!!!". Pergunta o Rabi Yerucham, o Mashguiach da Yeshivat Mir, que necessidade há de escrever esta acréscimo? Basta que a pessoa lhe empreste o dinheiro e mais nada. Ou seja, por que a pessoa deve imaginar sendo um pobre e não basta que simplesmente lhe empreste o dinheiro?
 
Outra pergunta baseada neste princípio é a seguinte: outra mitsvá na parashá diz o seguinte (Shemot 22:20): "não engane e nem pressione o estranho, pois fostes estranhos na terra do Egito". Será que para não maltratar um estranho é necessário pensar que fomos estranhos no Egito? Será que este preceito não é tão lógico que é entendível sem esta acréscimo?
 
Outra pergunta baseada neste princípio é a seguinte: outra mitsvá na parashá diz o seguinte (Shemot 22:24-26): " caso você tome como penhor o vestido de seu amigo, devolva-o a ele até o pôr do sol, pois esta é a roupa de seu corpo, com que ele vai dormir, e quando ele gritar a Mim, Escutarei-o pois Sou piedoso". Por que a Torá teve que descrever a angústia do pobre para devolver a ele sua roupa, e não basta dizer que ao pegar a roupa do pobre como penhor, que devolva-o para que tenha o que vestir.
 
Explica o "Or Hachaim": "que o pobre esteja contigo", caso você perceba que você tem mais dinheiro do que necessitas, empreste-o ao pobre, pois isto não é destinado a você, e sim àquele que o necessita, que é o pobre que está contigo, ou seja, você deve dar a ele o que na realidade é destinado para ele... a Torá nos ensina, que  caso tenhas dinheiro mais do que você necessita, você não é considerado como o dono do dinheiro, e sim como um tesoureiro do fundo de caridade. ".
 
Rabi Yerucham, o Mashguiach da Yeshivat Mir, escreve em seu livro "Da'at Torah", as seguintes palavras: caso você não sinta o que esta pessoa realmente está passando, a vergonha de pedir ajuda aos outros, a fome e o frio que sente, e todas as angústias que passa por estar numa situação constrangedora, nunca poderás saber como cumprir realmente esta mitsvá de emprestar e ajudar a seu amigo, pois caso vc não imagina sentir o que passa por ele naquele momento, como saberá o que realmente passa por aquele que é necessitado.
 
Em certa comunidade judaica na Europa, as famílias pobres não tinham dinheiro para comprar lenha para aquecer suas casas, a tal ponto, que a casa estava quase congelada pelo frio do inverno.
 
O rabino, que sentia a angústia de sua comunidade, se dirigiu aos ricos da cidade, para que ajudassem seus irmãos necessitados. No auge das geadas e neves, o rabino foi de porta em porta para que os ricos contribuam para esta fim. Os ricos convidavam-o para entrar na casa bem aquecida, mas o rabino preferia esperar do lado de fora no frio e neve congelados. O rico insistiu que o rabino entrasse em sua casa, mas este persistiu em conversar do lado de fora. Eles começaram a conversa, até que o rico esteve tremendo de frio, então, o rabino concordou em entrar na casa aquecida.
 
Ele perguntou ao rabino por que ele não conseguia explicar para ele na sala de estar, na casa aquecida, qual era o significado desse diálogo congelado?
 
O rabino respondeu: Eu sei que ir para casa e explicar-lhe o motivo desta minha visita perto do fogo ardente enquanto você ouve o crepitar das árvores em chamas, você não sentirá a sensação dos pobres que infelizmente congelam em suas casas. Então, só depois de sentir o frio, peço-lhe ajuda, porque agora você entende melhor a situação dos pobres.
 
Essa é a explicação das palavras de Rashi: " olhe para si mesmo como se você fosse pobre" Tente imaginar-se no lugar dele.
 
Partindo destas palavras, podemos entender também o citado acima sobre o estranho (Shemot 22:20): "não engane e nem pressione o estranho, pois fostes estranhos na terra do Egito". Não somente por sermos estranhos na terra do Egito, é que devemos tratar especialmente com delicadeza aos estranhos, a ordem é que sintamos em nós mesmos a sensação de ser estranho, para que possamos nos comportar do modo determinado pela Torá. Pois até que não sintamos o que passa pelos outros, nunca poderemos nos comportar do modo determinado pela Torá.
 
Assim também é a orientação da Torá em relação ao penhor pego do pobre. O prestador deve pensar na vida miserável do pobre. Naquele momento que você está em sua casa bem vestido e bem aquecido, pense naquele pobre que não tem este conforto e este privilégio.
 
Nossos sábios nos ensinaram, que a pessoa não faz mitsvot, e sim as mitsvot fazem a pessoa. Ao praticar a bondade e a benevolência, não somente que praticamo-as com o próximo e beneficiamos a ele, mas também e principalmente, beneficiamos a nós mesmos, crescendo mentalmente pensando também no que os outros sentem.
 
Eis aqui uma história que ilustra a perfeição da graça no "sentimento" das necessidades dos outros. É dito sobre o grande Rabino Ga'on Avraham Ya'akov Pam, chefe da Torá V'Da'at Yeshiva, que foi meticuloso em participar de todas as alegrias para as quais foi convidado, mesmo estando no ano de luto, Quando foi perguntado por seus discípulos sobre sua dedicação em participar das celebrações todas as noites, o rabino respondeu docemente aos lábios: "Para mim é todas as noites, mas para o noivo é uma vez na vida!"