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Parashat Vayakhel

O Espaço, o Tempo e o Homem

Os vários pormenores do mundo trabalham em extraordinária harmonia, denominada pela maioria das pessoas de “segredo da natureza”. Nos conceitos da Torá, porém, é a própria inspiração Divina. Sem ela, não haveria esta admirável harmonia.

A Harmonia Divina no mundo - Parashat Vayakhel
Nesta parashá, encontramos uma alusão a estes três importantes fatores: o espaço, o tempo e o homem.
O espaço é representado pelo Mishcan. Conforme diz o Talmud, a finalidade do Mishcan era concentrar a Divindade. No dia da conclusão do Mishcan, a alegria do Todo-Poderoso era tanta quanto a do dia da Criação do mundo.
Os vários pormenores do mundo trabalham em extraordinária harmonia, denominada pela maioria das pessoas de “segredo da natureza”. Nos conceitos da Torá, porém, é a própria inspiração Divina. Sem ela, não haveria esta admirável harmonia.
Confirmando este pensamento, nossos sábios dizem que o valor numérico das palavras hatêva (a natureza): =5 + tet=9 + bêt=2 + áyin=70 e Elokim (nome de D’us): álef=1 + lámed=30 + =5 +yud=10 + mem=40 é o mesmo (86), significando que a natureza não existiria não fosse a inspiração Divina.
O tempo é representado pelo Shabat. Todos os dias da semana estão vinculados ao Shabat. Domingo, segunda e terça-feiras ao Shabat anterior e quarta, quinta e sexta-feiras ao Shabat posterior. A importância do Shabat é tão grande, que o Todo-Poderoso advertiu a Moshê que não construísse o Mishcan no Shabat. Justamente nesta ordem de D’us que aprendemos os 39 trabalhos proibidos noShabat e seus derivados (os trabalhos que eram necessários para a conservação do Mishcan).
Ao cumprir o Shabat conforme as regras que a Torá prescreve, o Povo Judeu testemunha que o Todo-Poderoso criou o mundo em seis dias e no sétimo se absteve de criar.
Nossos sábios determinaram, que o final da semana, do mês e do ano devem ser períodos dedicados a um balanço espiritual.
Quando Rosh Hashaná se aproximao indivíduo começa a meditar sobre suas atitudes, tentando eliminar seus maus hábitos, para se aproximar mais e mais da Torá e de suas mitsvot na prática. A véspera de Rosh Chôdesh é denominada de Yom Kipur Catan (Kipur pequeno), porque é dedicada ao balanço espiritual e a uma auto-avaliação de nossos atos. Assim é também no êrev Shabat. Da mesma forma que o indivíduo se prepara para o Shabat, banhando-se e trocando suas vestimentas do dia-a-dia, assim também deve se expurgar das más atitudes que eventualmente tenha feito durante a semana. Deve vestir-se espiritualmente de maneira adequada, libertando-se das manchas do pecado, da mesma forma que fez com as roupas diárias.
O livro “Divrê Shemuel” traz um exemplo expressivo para transmitir o sentido do início (entrada) do Shabat: Um indivíduo estava em uma estrada em um dia de muita chuva, com frio, molhado, com fome, sede e sem saber o que fazer. De repente surge em seu caminho uma hospedaria, onde, para sua alegria completa, encontra tudo o que precisa – uma lareira para se esquentar, água quente para se banhar, a possibilidade de trocar suas roupas molhadas e uma alimentação adequada. Assim é o Shabat para nós. Depois de uma semana de trabalho intenso e cansativo, chega o Shabat para nos reanimar e para nos revigorar, para podermos prosseguir o nosso caminho.
Exemplo semelhante encontramos no midrash. Um homem estava se afogando em alto-mar e de repente percebeu a aproximação de uma embarcação. De dentro lhe jogam uma corda, dizendo para segurar firme. Disseram também que durante todo o tempo em que a estiver segurando, não se afogará. Assim é o Shabat; os dias da semana são semelhantes a um oceano, com altas ondas e no Shabat o Todo-Poderoso nos estende uma corda. Ao nos ligarmos a esta corda, temos condições de sobreviver.
A alusão ao homem está na frase: “Veshachanti betocham” (Shemot 25:8) – E estarei presente neles. Aparentemente esta expressão deveria estar no singular (veshachanti betochô), pois é uma referência ao Mishcan (e só havia um Mishcan). Nossos sábios disseram, porém, que Hashem falou no plural para nos ensinar, que cada um de nós deve constituirse num Mishcan, para permitir a presença Divina. Conforme o livro Nêfesh Hachayim (Sháar Álef), o principal lugar da Presença Divina é o homem, pois se ele se santifica de forma adequada, mediante o cumprimento das mitsvot, então ele próprio será um mishcan e dentro de si pairará a Presença Divina.

Mais um Capítulo  do livro : "Nos Caminhos da Eternidade 1" Do Rabino  I. Dichi
Parashat Vayakhel
Para o livro online: http://ohelmoshe.com.br/curso-livros