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Parashat Shemot

Parashat Shemot - Yir’at Shamáyim – O Temor a D’us

Após a morte de Yossef e de todos seus irmãos, assume o reinado do Egito um novo faraó. Algumas opiniões dizem que era o mesmo de antes, porém não mais reconhecia os benefícios que Yossef trouxe. Esse Faraó decidiu escravizar os Filhos de Israel. Quando seus astrólogos lhe disseram que estava para nascer um menino, que futuramente salvaria os Filhos de Israel, o Faraó decretou que todos os meninos, que nascessem a partir daquele dia, fossem jogados no rio Nilo.

Moshê dentro de uma cesta no rio
Yossef e Yaacov trouxeram muitos benefícios para o Egito. Yossef previu sete anos de fartura, seguidos de sete anos de fome, e montou um esquema para abastecer o Egito nesses anos difíceis. Por mérito de Yaacov, os sete anos de fome foram reduzidos para dois, pois assim que ele chegou, o Nilo voltou a transbordar, pondo fim aos anos de seca.
Após a morte de Yossef e de todos seus irmãos, assume o reinado do Egito um novo faraó. Algumas opiniões dizem que era o mesmo de antes, porém não mais reconhecia os benefícios que Yossef trouxe.
Esse Faraó decidiu escravizar os Filhos de Israel. Quando seus astrólogos lhe disseram que estava para nascer um menino, que futuramente salvaria os Filhos de Israel, o Faraó decretou que todos os meninos, que nascessem a partir daquele dia, fossem jogados no rio Nilo.
Moshê, o menino tão temido pelo Faraó, nasceu e sua mãe escondeu-o dos egípcios por três meses. Não podendo mais escondê-lo, sua mãe pôs Moshê dentro de uma cesta bem protegida e colocou-a no rio. Quis a Providência Divina que a filha do Faraó, Bityá, encontrasse-o e criasse esse menino em sua própria casa. “Rabot machashavot belev ish vaatsat Hashem hi tacum” (Mishlê 19:21) – São muitos os pensamentos do ser humano, porém acaba prevalecendo a vontade Divina.
Um dos fatores primordiais para a continuidade do Povo de Israel foi, sem dúvida, a atitude tomada por Yocheved (a mãe de Moshê) e Miryam (a irmã de Moshê). Colocando em risco suas próprias vidas, Yocheved e Miryam, que eram as parteiras das mulheres de Israel, não acataram a ordem do Faraó de entregar os meninos que nascessem para serem jogados no rio, conforme a Torá nos diz: “Vatirêna hamyaledot et Haelokim, velo assu caasher diber alehen mêlech Mitsráyim vatechayêna et hayladim”(Shemot 1:17) – As parteiras temeram a D’us e não fizeram como lhes havia falado o rei do Egito, e deixaram os meninos viver.
Torá nos relata que esta atitude de Yocheved e Miryam foi proveniente do temor a D’us, como consta no versículo: “Vaychi ki yarêu hamyaledot et Haelokim... (Shemot 1:21) – E eis que as parteiras temeram o Todo-Poderoso.
Este temor que as parteiras tiveram do Todo-Poderoso (Yir’at Shamáyim), não acatando o que o Faraó ordenara, salvou o povo. Caso elas não tivessem tomado esta corajosa atitude, a continuidade do povo, o nascimento de Moshê, o recebimento da Torá no Monte Sinai, a construção do Mishcan (Tabernáculo), etc., estariam comprometidos.
Um dos grandes pensadores da Filosofia Judaica de nossa época, o Rabino Shelomô Wolbe, nos diz em seu livro Alê Shur (vol. II pág. 341), que a Yir’at Shamáyim (temor a D’us) consolida a personalidade das pessoas, dando-lhes atributos para que possam superar os testes (nissyonot) e vencer os obstáculos que surgem em suas vidas.
Após o último dos dez testes pelos quais Avraham Avínu passou, a Akedá (para verificar se Avraham estava disposto a sacrificar seu próprio filho pela fé em D’us), o Todo-Poderoso lhe diz: “Atá yadáti ki yerê Elokim áta” (Bereshit 22:12) – Agora sei que temente a D’us és tu.
Por intermédio da superação dos obstáculos que aparecem à nossa frente, com a finalidade de tentar nos afastar do caminho espiritual correto, podemos concluir qual é nosso nível de Yir’at Shamáyim.
Outra passagem da Torá na qual podemos observar que a Yir’at Shamáyim é avaliada em momentos de nissayon (teste), é a que relata sobre as pragas enviadas aos egípcios.
Depois da praga de barad (granizo – a sétima praga), o Faraó diz a Moshê: “Desta vez pequei, D’us é justo e eu e meu povo somos os ímpios. Orem para D’us... e lhes darei licença para sair (Shemot 9:27-28). Embora Moshê lhe tenha dito que rezaria para que o granizo cessasse, fez-lhe a seguinte observação: “Veatá vaavadêcha yadati ki terem tireun mipenê Hashem Elokim” (Shemot 9:30) – Eu sei que você e seus servos ainda não temem a D’us. Rashi explica que Moshê afirmou que o Faraó ainda não temia o Todo-Poderoso, porque sabia que depois que essa praga terminasse, esta aparente recuperação do Faraó seria colocada em teste e ele voltaria a ser o mesmo de antes. Moshê, portanto, avaliou o temor a D’us do Faraó, levando em consideração a situação de que estaria em teste.
Se vencermos os obstáculos e nos mantivermos no caminho da Torá e das mitsvot, nossa Yir’at Shamáyim estará solidificada e comprovada. Sobre isso, nossos sábios disseram: “Hacol bidê Shamáyim chuts meyir’at Shamáyim” – Tudo vem dos Céus, menos o temor a D’us.