Parashat Vayeshev

Parashat Vayêshev Felicidade e Harmonia

Pelo mesmo motivo que teve ao procurar os ensinamentos de Shem e Êver, Yaacov achou conveniente transmiti-los a Yossef. No futuro, Yossef ficaria afastado do convívio de seu pai e de um ambiente fundamentado na Torá e viveria em terra estranha. Estes ensinamentos proporcionariam a Yossef, longe de seu pai e irmãos, a força espiritual adequada para vencer todos os testes que a vida imoral do Egito lhe apresentaria. - Este artigo é um trecho do livro "Nos Caminhos da Eternidade I" Do Rabino Isaac Dichi.

Harmonia e Felicidade
“Ki ben zekunim hu lo” (Bereshit 37:3) – Porque ele era filho da velhice. Rashi explica que, tudo o que Yaacov estudou com Shem e Êver, ensinou a seu filho Yossef.
Shem (o filho de Nôach) e Êver (bisneto de Shem) tinham um bêt midrash onde estudavam e transmitiam os ensinamentos da Torá. Nas leis de Avodat Cochavim (cap. 1 item 2) Rambam (RabiMoshê ben Maymon) conta, que antes de Avraham Avínu começar a difundir as idéias do monoteísmo no mundo, eles eram os únicos a acreditar em D’us.
A conselho de Yitschac, Yaacov Avínu saiu da casa de seus pais para se casar com uma das filhas de Lavan (irmão de Rivcá). Antes de enfrentar esta nova etapa de sua vida, Yaacov julgou acertado passar quatorze anos na Yeshivá de Shem e Êver. Assim, muniu-se de uma grande bagagem espiritual para poder enfrentar este novo convívio, distante da influência positiva e elevada de seus pais Yitschac e Rivcá.
O Rabino Yaacov Kaminetski zt”l em seu livro Emet Leyaacov diz, que Yaacov teve essa iniciativa, por entender que somente os ensinamentos dos patriarcas Avraham e Yitschac não bastariam, para que fosse bem-sucedido e conseguisse se manter em seus elevados níveis de espiritualidade.
Shem e Êver viveram em épocas negativas ao extremo, no que diz respeito à moralidade e à falta de fé no Criador – como o dilúvio e a Torre de Babel. Apesar disso, tiveram força suficiente para se elevar acima de todos esses males e enfrentar uma realidade diferente da criada por Avraham e Yitschac. Por isso, Yaacov achou conveniente aprender com esses dois mestres, que possuíam vasta experiência de vida e obtiveram resultados positivos espiritualmente, mesmo em situações adversas. Somente após quatorze anos de fortalecimento espiritual e depois de sentir-se imune para enfrentar qualquer situação, Yaacov se dirigiu finalmente à casa de Lavan. Esses ensinamentos foram a luz de seu caminho, durante toda a sua árdua permanência na casa de Lavan.
Pelo mesmo motivo que teve ao procurar os ensinamentos de Shem e Êver, Yaacov achou conveniente transmiti-los a Yossef. No futuro, Yossef ficaria afastado do convívio de seu pai e de um ambiente fundamentado na Torá e viveria em terra estranha. Estes ensinamentos proporcionariam a Yossef, longe de seu pai e irmãos, a força espiritual adequada para vencer todos os testes que a vida imoral do Egito lhe apresentaria.
Entretanto, seus irmãos, que não sabiam o motivo de tanta dedicação por parte de seu pai e de forma exclusiva a Yossef, invejavaram-no. Porém, após todos os acontecimentos, concluíram que se não fosse por esses ensinamentos que Yaacov transmitiu a Yossef, pelo fato de Yossef ter ficado no Egito por muitos anos sozinho, ele não teria força suficiente para enfrentar um ambiente tão adverso àquele que estava acostumado, sem modificar seu comportamento correto.
Os outros irmãos não precisavam dos ensinamentos de Shem e Êver, que eram específicos para quem tivesse de enfrentar outros ambientes em uma sociedade corrompida. Embora eles também tenham ido para o Egito, foram em grupo, todos juntos. Antes de Yaacov mudar-se para o Egito com toda a família, enviou Yehudá na frente para que preparasse uma Yeshivá. A família de Yaacov, então, deslocou seu meio ambiente tal como ele era em Êrets Kenaan para Êrets Gôshen, no Egito.
Esse pensamento reforça a idéia, de que há uma diferença básica no modo de estudo. Ou seja, um método diferente é necessário para aqueles que precisam viver em ambientes divergentes daqueles que estavam acostumados.
A convivência dos judeus em seus países de origem, fechados em suas comunidades seguidoras do caminho da Torá e das mitsvot, pode ser comparado ao convívio dos patriarcas Avraham, Yitschac e Yaacov com seus filhos – onde os métodos tradicionais bastavam para dar o sustento espiritual necessário.
No século passado, ao serem obrigados a abandonar seus lugares de origem e irem para os países da América, onde o círculo fechado se abriu, os judeus viram um mundo novo e moderno. Os modos convencionais de transmissão da Torá não eram suficientes para dar equilíbrio e serenidade, para que pudessem enfrentar o novo modo de vida voltado ao modernismo, à ganância e ao consumismo materialista extremo. Precisavam de um freio a este modo de vida, que causaria o abandono paulatino dos princípios básicos do judaísmo, como o Shabat, a cashrut e tantos outros.
Esse “novo estilo de vida” na realidade não é novo na história da humanidade. Aprendemos de Yaacov, que foi procurar ensinamentos que já haviam sido postos em prática por outros, com resultados positivos, frente aos “novos estilos de vida”. Para poder enfrentá-los, nós também temos de assimilar esta forma de pensar.
Temos de aplicar, na educação das novas gerações, estudo de Torá com bagagem suficiente, para que possam seguir o caminho da Torá em qualquer circunstância e lugar. Ensinamentos que dêem ao jovem a visão autêntica das mitsvot e a crença total nos elementos eternos da Torá, que nos foi dada pelo Criador, cujos pensamentos são muito mais amplos e complexos do que os limitados horizontes do ser humano.
Isso para que os jovens compreendam, que a Torá e suas mitsvot são compatíveis com todas as gerações, até mesmo com o progresso da tecnologia e da ciência. A própria Torá alude a estas gerações, nas quais se previu o desenvolvimento. O Zôhar Hacadosh diz, que no sexto milênio (êlef hashishi) seriam abertas as fontes da sabedoria, porém não há nenhuma indicação de que nesta época haveria “chas veshalom” alguma mudança no modo de vida estipulado pela Torá. Modo esse que mantém vivo nosso povo desde seu nascimento até os dias de hoje, enquanto outros tantos povos, culturas e civilizações que pareciam ser eternos, estão hoje enterrados, restando deles apenas alguns monumentos arqueológicos e alguns capítulos da História. O Povo de Israel, sua cultura e seus costumes, entretanto, estão presentes na vida das diversas comunidades, distribuídas nos quatro cantos do mundo.
Torá e seus mandamentos provaram oferecer a felicidade e a harmonia de um modo ainda mais expressivo nos últimos anos. Dia a dia, nossas fileiras aumentam, com novos aderentes do caminho da Torá e de suas mitsvot. Voltam ao judaísmo por comprovarem o fracasso de uma vida de vazio espiritual, onde somente os prazeres materiais não bastam para trazer a felicidade e a harmonia aos lares. Dão-se conta do fracasso do ambiente exterior à Torá, onde o divórcio, a imoralidade, o uso e abuso de álcool e entorpecentes e outros males levaram muitas famílias ao desespero, à infelicidade e à desunião total.
Felizes aqueles que, ainda em tempo, perceberam a autenticidade da Torá. Felizes aqueles que concluíram, que mediante seus preceitos, pode-se atingir os mais altos níveis de felicidade, harmonia e união. Felizes aqueles que entenderam, que é possível a construção de uma família e ideais que servirão de exemplo para que outros os acompanhem para alcançar de fato uma forma de vida ideal – a baseada nos conceitos e mandamentos da Torá.

 
 
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